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30/06/2020 08:43 tangaraemfoco.com.br

Empresa contratada pela Prefeitura de Tangará da Serra está registrada em endereço que não existe

 

Dois sites de notícias da região metropolitana de Cuiabá denunciam que foram até o endereço fornecido como sendo a sede da Faculdade de Medicina de Várzea Grande (FAMVAG S/A), contratada para prestação de serviços de recursos humanos para atendimento em casos da Covid-19 no Hospital Municipal por um período de 120 dias, e não encontraram a empresa que, por meio de dispensa de licitação, receberá R$ 3,5 milhões da Prefeitura de Tangará da Serra.

O primeiro a denunciar foi o portal Página 12, que fez a denúncia no dia 12 de junho. Ontem, quem denunciou o foi o site VG Notícias, de Várzea Grande.

O site VG Notícias afirma que o prefeito de Tangará da Serra, Fábio Junqueira (MDB), contratou uma ‘faculdade de papel’. “(…) o que chama atenção, é que FAMVAG é uma faculdade de ‘papel’, pois o endereço que consta, anexo ao Hospital São Lucas, à rua Espírito Santo, no bairro Nova Várzea Grande, em Várzea Grande, nunca existiu”, afirma a reportagem.

No contrato firmado entre a FAMVAG e a Prefeitura, não consta em nenhuma cláusula que tipo e quantidade de profissionais a empresa terá que fornecer. Clique aqui e confira o contrato na íntegra.

Segundo os sócios da FAMVAG, Alfredo Almerindo Monteiro Júnior e o ortopedista Allan Wallace Caetano, a empresa atende apenas o Hospital Municipal de Tangará da Serra, com profissionais na enfermaria e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), contudo, não souberam precisar a quantidade de profissionais. Allan disse cerca de 80 e Alfredo afirmou que seria cerca de 100 profissionais entre fisioterapeuta, técnicos em enfermagem, enfermeiros, maqueiros e médicos.

A reportagem do vgnoticias esteve in loco no Hospital São Lucas, apontado como endereço da FAMVAG, conversou com o administrador Samuel Ribeiro, que mostrou toda estrutura da unidade de saúde – e afirmou categoricamente que nunca funcionou nenhuma faculdade nas dependências do São Lucas – e que irá comunicar a Junta Comercial a não existência da FAMVAG no endereço.

O vgnoticias entrou em contato com o secretário de Saúde de Tangará da Serra, Sérgio Scheffer, que se recusou a falar sobre o contrato – e disse para falar com a Comunicação. Já o assessor de Comunicação da Prefeitura, Diego Soares, afirmou que teria que conversar com o secretário de Saúde, e somente quando ele (secretário) passasse os dados poderia informar, mas não soube dizer para quando. E até o fechamento da matéria nenhum dos dois retornaram.

A reportagem ainda ligou para o prefeito Fábio Junqueira, mandou mensagem por meio do WhatsApp falando que precisaria checar as informações – mas ele também não atendeu e não retornou as diversas tentativas.

A reportagem conversou também com dois dos três sócios da FAMVAG, Alfredo Almerindo Monteiro Júnior e o ortopedista Allan Wallace Caetano, que admitiram que apenas o endereço consta como anexo ao Hospital São Lucas, porque em 2017, quando a empresa foi aberta, eles teriam arrendado o hospital, mas não houve continuidade.

Contudo, a versão dos sócios é desmentida pelo médico Hilton Taques, um dos donos do São Lucas. Segundo ele, Alfredo é “mentiroso”, o contrato de arrendamento nunca existiu e tampouco foi registrado em cartório. “Tudo que este Alfredo faz é mentir e apresentar contrato rasurado, sem assinatura. Ele usou isso para criar esta empresa. Mas nunca foi dono do Hospital São Lucas, é mentiroso”, disse.

Apesar dos sócios da FAMVAG afirmarem que a empresa irá fornecer entre 80 a 100 profissionais de saúde, o Laudo Pericial realizado por determinação judicial, apontou que no quesito equipe de enfermagem e demais equipes paramédicas, o hospital está bem atendido, porém, a deficiência na equipe médica inviabiliza o início de funcionamento da UTI, pela ausência de profissionais com Registro de especialidade em Medicina Intensiva no CRM quando, no mínimo, deveria ter dois.

Consta do laudo, que o médico Alan Wallace Caetano, representante da FAMVAG, afirmou, no início da perícia, que havia um médico intensivista contratado como Responsável Técnico, mas não apresentou o nome na lista de médicos contratados. Ao final, afirmou estar em negociação para a contratação de mais dois Intensivistas O médico relacionado com Intensivista não apresenta Registro de Qualificação de Especialista, no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Ainda, conforme o laudo, os responsáveis pela equipe de Enfermagem da UTI e do Hospital Municipal foram quem mais forneceram as informações necessárias devido à ausência do médico Responsável Técnico da UTI.

Para ler esta matéria no site VG Notícias, clique AQUI.


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